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sexta-feira, abril 13, 2007

Cavalinho de tróia, máscaras Venezianas e armaduras guerreiras


Originally uploaded by Eddie Law.


Desde sempre, desde ervilha que gostei de cavalinhos. De madeira com crina e cauda loura, olhos pretos e sela vermelha embalava-me horas e horas a fio nos escassos centímetros que me separavam de um choque frontal com a parede do quarto.
Domesticado e obediente não saía do trilho e relinchava sempre por mais uma corrida a galope.
Agora velhinho e gasto está arrumado a um canto. Coberto de pó e plástico já não relincha. A sua crina, antes sedosa, repousa agora hirta sobre o dorso.
Nunca mais o vi.

E porque falo do meu cavalinho? Porque nas últimas luas dei por mim a acordar no interior de uma espécie de cavalo de Tróia sem ter percebido como lá fui parar nem o que me levaria a fazê-lo.
Foi assustador perceber que entrei pelos meus pés e que talvez tenha sido a minha sede e vontade de conquista que o fez galopar. Estas máscaras Venezianas, estas armaduras guerreiras, que colocamos sobre as maçãs do rosto e usamos no corpo, a cavalo dos nossos cavalos de Tróia blogosféricos, podem-se revelar devastadoras máquinas de guerra ou magníficos cachimbos da paz.
Jamais pensei semear mentira, desonestidade, raiva, desolação, desilusão, frustração, incompreensão com o meu cavalinho.
Poderá ele ter-se tornado, agora adulto, num cavalo selvagem e indomável, com um olhar doente?
Acredito ter ainda uma réstia de força no pulso para lhe puxar as rédeas e apertar a sela sempre que ele não quiser saltar os obstáculos. O percurso só se conquista saltando e não pisando.
As quedas de cavalo costumam ser dramáticas e deixar sequelas para o resto da existência.
Sempre alerta deverá ser o mote.
Deixá-lo galopar rédea solta na praia junto ao mar.
Apertar-lhe a sela e as rédeas sempre que na pista de obstáculos que recuse a pular.
Quando virem um cavalo a galopar em vossa direcção não lhe mostrem medo, não o espantem.
Protejam-se de coices instintivos mas não deixem de lhe fazer uma gentileza no dorso para o acalmar.
No dia em que ele já não obedecer, nunca mais permitirei que as marcas dos seus cascos fiquem registradas na areia.
Regressará à sua planície, ao campo, ao seu sertão ou ao sótão de onde provavelmente nunca deveria ter saído.

p.s. - A propósito de cavalos e cavalinhos estará em Lisboa um espectáculo equestre de rara beleza segundo rezam as críticas.
APASSIONATA

5 Comments:

Anonymous Chiara Luna said...

Belo texto!
Boa instrospecção.
Lembrei do blog:
http://www.eperhoggi.blogspot.com
Tem um ou outro post, que fala sobre o efeito das letras, interpretações equivocadas e bandeiras de paz.
Achei a chamada do texto bem estruturada,ela captura para a leitura.
Bon giorno!

1:43 da tarde

 
Blogger Ck in UK said...

Ja esteve ca em Londres e teve grandes criticas. Eu nao fui ver...

1:45 da tarde

 
Blogger Cara D'Anjo Mau said...

chiara luna - Amizade assim é para se guardar. Obrigado por mais um gesto de confiança. É a primeira família completa que conheço nas bloguices.

ck - Pois não tinha felinos não é?

12:30 da manhã

 
Blogger Rubrica Brasil said...

Este comentário foi removido pelo autor.

10:53 da tarde

 
Blogger Cara D'Anjo Mau said...

Bem, rubrica Brasil quanta honra receber a visita de mais um/uma, não sei bem, membro do clã do lado de lá. Seja sempre bem vinda.

11:40 da tarde

 

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